Acolhendo os venezuelanos

Quando a irmã Rosita Milesi, diretora do Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH), esteve na cidade de Pacaraima (RR) no início de 2017, os indígenas da etnia Warao moravam na rua e os demais imigrantes venezuelanos não tinham a quem recorrer, pois não havia serviço de orientação e de assistência, muito menos um espaço de acolhimento. As circunstâncias em que viviam eram precárias e humilhantes e o padre Jesus Bobadilha, pároco da cidade, era um dos que se solidarizava com a situação e buscava formas de ajudá-los.

São homens, mulheres e crianças, incluindo grande número de indígenas Warao, que precisam de atendimento às suas necessidades mais básicas, como tomar o café da manhã, mas também necessitam de atendimento médico, abrigo, documentação e trabalho.

“Unindo forças, somando parcerias e buscando apoio, os serviços foram surgindo. Um exemplo é o café da manhã, servido para uma média de 800 pessoas por dia a partir das 6h  na paróquia Sagrado Coração de Jesus. Um aspecto impressionante é a dedicação, a organização e a colaboração dos voluntários para que todos sejam atendidos sem transtornos. A partir das 4h30, eles já estão preparando o café. Assim, a atuação deles  e a colaboração do público faz com que tudo transcorra como se fôssemos uma família”, diz irmã Rosita.

Com o agravamento da crise humanitária na Venezuela, várias entidades passaram a auxiliar o IMDH e a Paróquia de Pacaraima na promoção de ações de acolhida, proteção e integração dos imigrantes, incluindo o Instituto C&A que, por meio do programa SOS Comunidade, desde janeiro deste ano, oferece auxílio financeiro para a construção de um espaço de aprendizagem e de interação para crianças dentro do abrigo – que atualmente acolhe 250 indígenas Warao; criação de uma área de produção de artesanato e contração de um profissional para apoio às atividades; compra de alimentos que são distribuídos no café da manhã; e aquisição de material de construção, móveis e utensílios para a Casa de Passagem Jesus Peregrino – também ligada à paróquia – e que em breve passará a abrigar venezuelanos não indígenas.

 “Atualmente cerca de 1.300 pessoas são beneficiadas por essas ações. Embora ainda haja carências, desafios e dificuldades, hoje o cenário é outro”, anima-se irmã Rosita.

 Em parceria com a Diocese de Roraima e com outras instituições, o IMDH está articulando a criação de um serviço de atenção a mulheres, crianças e solicitantes de refúgio, em Boa Vista (RR), onde encontram-se milhares de imigrantes em situação precária.

E assim, com a ajuda de voluntários e entidades, conseguimos diminuir o sofrimento dessas pessoas em um momento tão frágil de suas vidas, em que o alimento, a documentação, e o apoio emocional são necessidades emergenciais, que precisam ser atendidas para que os imigrantes possam manter a esperança e ter forças e apoio para buscar caminhos de reconstrução de suas vidas”
Irmã Rosita -

Conheça as ações do SOS Comunidade

A crise

A crise humanitária que está ocorrendo na Venezuela tem feito com que milhares de venezuelanos venham para o Brasil, fugindo da crise econômica e da violência. Eles entram no País principalmente pela cidade de Pacaraima (RR), que faz fronteira com a Venezuela. Segundo os dados da Policia Federal, aproximadamente 28 mil venezuelanos solicitaram refúgio no Brasil e em torno de 15 mil.000 pediram residência temporária.