A verdadeira transparência é mais do que somente honestidade

O Instituto C&A não está buscando uma mudança gradual ou soluções fragmentadas, nem tampouco mitigar ou diminuir os danos. Em vez disso, busca desencadear uma revolução disruptiva em toda a indústria por meio de novas formas de trabalho e modelos de negócio que virem a indústria de cabeça para baixo, que a transformem em uma verdadeira força para o bem.


Embora soe ótimo na teoria, com muitos provavelmente expressando concordância, alguém pode estar se perguntando o que isso realmente significa. Como você realmente transforma uma indústria?

Para o Instituto C&A, significa testar abordagens – ou alavancas – que possam romper com o status quo. Quer sejam práticas de negócio enraizadas, comportamentos cristalizados ou atitudes arraigadas, o Instituto C&A e seus parceiros estão questionando os sistemas estabelecidos para que se criem novos em seu lugar.

A transparência se tornou mais uma palavra da moda no mundo corporativo?

Uma dessas alavancas é a transparência. Nos últimos vinte anos, a transparência passou de uma palavra ofensiva para uma palavra da moda na indústria. É bom observar essa mudança de sentido para algo normal, porém o termo está ficando cada vez mais diluído. Ele é usado para descrever relatórios de RSE, honestidade entre compradores e fornecedores, e artigos jornalísticos.

Mas a verdadeira transparência, baseada em dados e avaliação crítica, é mais do que somente honestidade. Significa disponibilizar informações antes ocultas ou desconhecidas de maneira aberta e padronizada para que os responsáveis pela tomada de decisões tenham condições e incentivo para melhorar as condições de trabalho das mulheres e homens que fazem nossas roupas.

Trabalhadores bem informados e embasados podem escolher trabalhar em fábricas que tratam melhor as pessoas. Os fabricantes podem escolher trabalhar com compradores com melhores práticas de compra. As marcas podem escolher fazer negócio com melhores fornecedores e melhorar suas práticas de compra para que os fornecedores possam repassar os benefícios aos trabalhadores. E os consumidores podem escolher onde comprar.

Questionando o status quo

Os parceiros do Instituto C&A estão questionando o status quo. Por exemplo, o Índice de Transparência da Fashion Revolution não está apenas servindo como uma ferramenta para mudar o comportamento das marcas, mas mudou o contexto e a discussão sobre transparência na indústria. Além disso, tem causado um efeito cascata de mudança comportamental positiva nas marcas.

A Better Buying está lançando um novo mecanismo para mudar as relações entre compradores e fornecedores. Por meio de uma plataforma online, a Better Buying dá aos fornecedores a oportunidade de avaliar as marcas anonimamente, com base em práticas de compra, criando ao mesmo tempo um espaço para que ambas as partes busquem soluções para problemas recorrentes. Isso proporciona condições iguais, de tal forma que nenhuma parte pode ter vantagens ao vender mais barato que seus concorrentes pelo uso de práticas que comprometem as condições de trabalho.

Um outro exemplo de transparência disruptiva é o trabalho do Instituto C&A em Bangladesh com a Universidade de BRAC. Essa colaboração está desenvolvendo um banco de dados em tempo real de todas as confecções do país, permitindo a identificação de confecções não registradas e correção dos inúmeros problemas que elas enfrentam. Esse banco irá ajudar os compradores a descobrir e assumir responsabilidade por condições de trabalho em locais terceirizados. Além disso, oferecerá aos trabalhadores – que são, de longe, o elo mais frágil da cadeia de fornecimento da moda – informações comparativas que ajudam a orientar melhores decisões de emprego.

Para criar uma mudança duradoura na indústria, todos os seus atores, grandes ou pequenos, precisam pensar – e agir – de forma diferente. Por meio das decisões embasadas que propicia, a transparência radical é a melhor esperança para questionar o sistema e fundamentalmente transformar a moda e seu impacto.

 

*Na foto, Leslie Johnston, diretora executiva do time global do Instituto C&A, durante  painel sobre transparência na indústria da moda que ocorreu no Copenhagen Fashion Summit.