Rio Ethical Fashion promoveu debate sobre sustentabilidade na indústria da moda

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O Rio de Janeiro, cidade que já foi palco de grandes discussões ambientais como a Eco-92 e a Rio+20¹, sediou em 7 de junho a primeira edição do Rio Ethical Fashion, evento que teve como objetivo debater, criar parcerias, inspirar e difundir os valores da sustentabilidade na moda brasileira.

Assuntos como “Desafios da sustentabilidade no Brasil”, “Ética e o novo luxo”, “Design e economia circular” e “Novos modelos de criação, produção e consumo” estiveram na pauta de discussões durante os dois dias do evento, que contou com o apoio do Instituto C&A.

No painel “Desafios da sustentabilidade da moda brasileira”, Giuliana Ortega, diretora executiva do Instituto C&A abordou a complexidade do setor e os seus impactos ambientais, sociais e econômicos no país. Giuliana destacou que os desafios para tornar a moda mais sustentável são grandes, mas que com dedicação é possível superá-los. 

Sua fala focou na importância da transparência no setor. Segundo ela, ao ter acesso à informação a sociedade passa a ter o poder de decisão, daí a importância da disponibilização dos dados da cadeia produtiva. Para Giuliana, a transparência impacta na melhoria das condições de trabalho, que afeta diretamente as pessoas que fazem parte do setor informal. 

Existe um outro mundo fora das grandes marcas e as condições de trabalho precisam ser melhoradas, principalmente para as mulheres, que ainda estão na invisibilidade. As marcas precisam dar o primeiro passo e controlar sua cadeia de produção do começo ao fim", Giuliana Ortega, diretora executiva do Instituto C&A


Essa visão é compartilhada por parceiros do Instituto C&A, que também marcaram presença no evento. “Por conta do setor da moda depender de longas cadeias produtivas, há uma grande invisibilidade dos pequenos produtores, que estão na ponta da produção”, destacou Marcel Gomes, secretário-executivo da ONG Repórter Brasil.

A transparência é um meio para a mudança. Ela irá nos mostrar onde está o problema, para que possamos trabalhar para solucioná-lo", Fernanda Simon, coordenadora do Fashion Revolution Brasil.

Giuliana também salientou que é preciso esforço coletivo e a visão complementar de vários agentes da indústria para enxergar as várias facetas do problema, vislumbrar soluções e, de fato, promover uma mudança sistêmica, que migre do linear para o circular. “Quando eu penso em moda sustentável, vejo um modelo ainda linear, com muita extração de recursos naturais para um uso muito rápido do produto final. Por isso vejo a necessidade de um modelo mais circular”, completou Giuliana. 

Além de abordar assuntos como melhoria das condições de trabalho e circularidade na moda, o tema matérias-primas sustentáveis também apareceu no debate. Andrea Sousa, representante do Esplar, parceiro do Instituto C&A no Programa de Incentivo ao Algodão Sustentável, trouxe para a mesa a importância da agroecologia e do empoderamento da mulher no campo. “A agroecologia vem com o foco na a vida das pessoas, geração de renda, qualidade de vida, não deixar a mulher sofrer violência. Na produção do algodão é importante ter mulheres organizadas em grupos, empoderadas, ou seja, que sabem dos seus direitos, que estão presentes nas políticas públicas do seu município e na geração de renda também.”
Segundo Andrea “A moda brasileira pode, sim, ser justa e solidária e usar o algodão do sertão cearense.”


Ainda participaram do REF nomes de peso como Simone Cipriane, oficial da ONU, fundador e diretor da Ethical Fashion Initiative; e Oskar Metsavaht, fundador e diretor de criação e estilo da Osklen, além de Embaixador da Boa Vontade da UNESCO para Cultura de Paz e Sustentabilidade. 
 

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¹ Eco-92 foi uma conferência organizada pelas Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em junho de 1992, que reuniu mais de 100 chefes de Estado para debater formas de desenvolvimento sustentável, um conceito relativamente novo à época. Vinte anos depois, o Rio+20 visou verificar avanços e possíveis melhorias no tema.  

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