WWF: algodão orgânico e biodiversidade

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Em 2019, o Instituto C&A comemora cinco anos  atuando  para  transformar  a moda em uma força para o bem.  Nesta  série de  entrevistas, destacamos cinco  parceiros que  estão  conosco  nessa  jornada  por  uma indústria da moda justa e sustentável. 

“Nosso trabalho de promover biodiversidade através do cultivo do algodão orgânico e, em consequência, a melhoria dos meios de vida dos agricultores na região, é pioneiro na indústria da moda. Conectar uma cadeia de fornecimento como essa aos esforços de conservação da vida selvagem é inovador, dá aos envolvidos no setor da moda uma nova perspectiva e narrativa”, diz Murli Dhar, diretor do Programa de Agricultura Sustentável da WWF Índia, ao nos falar sobre o projeto de três anos na região central do país que está sendo implementado em parceria com o Instituto C&A.  

Os esforços da WWF com relação à alimentação e agricultura e, particularmente, em torno da capacitação de sistemas de produção sustentáveis, foca na redução da pegada ambiental, melhorando a eficiência na gestão da água e reduzindo o uso de produtos químicos. Uma das maneiras de fazer isso é promover a conversão de sistemas de base química para sistemas de base não química. Produzir algodão de maneira orgânica, por exemplo, reduz significativamente o impacto no solo e reforça a biodiversidade da região. 

“A produção de algodão consome quase 60% dos pesticidas globais e é a causa de 8% das emissões globais de gases de efeito estufa em todo o mundo. A transição para sistemas não químicos é uma necessidade urgente dentro do setor”, diz Murli. 

 

Algodão orgânico para biodiversidade 

A região central da Índia é lar do tigre de Bengala, uma espécie ameaçada de extinção. Em cinco ou seis parques nacionais da Índia, conectados por um corredor de vida selvagem, vivem 40% da população do tigre. Murli explica que proteger esses corredores é fundamental, pois permite que os animais circulem livremente entre os parques nacionais e continuem a espécie. A produção de algodão orgânico nesses corredores desempenha um papel vital na manutenção da biodiversidade na região e fornece um modelo saudável e viável que agrega valor aos produtos dos agricultores. 

“O Instituto C&A mudou nossa perspectiva e nos inspirou a olhar para o papel das certificações orgânicas na reabilitação da biodiversidade. Eles ajudaram a trazer conformidades orgânicas que agregaram valor a todo o algodão produzido localmente. E, devido à sua abordagem multissetorial, deram aos agricultores acesso ao mercado internacional. 

Depois de três anos e 6.000 novos agricultores, Murli tem muito orgulho do rigor que cada agricultor carrega sobre conformidades e certificações - um processo extremamente complexo e desafiador.  

 

Levando o produtor junto nesta jornada 

“Era importante saber como o agricultor se sentia em relação a isso e, mais importante, avaliar a resposta da cadeia de fornecimento. Nosso primeiro ano mostrou uma curva íngreme de aprendizado. Começamos com 40 agricultores e aprendemos muito sobre requisitos de conformidade, processos de auditoria e sistemas de gerenciamento de dados. Ver resultados logo de início foi um incremento muito necessário na confiança e, hoje, vemos agricultores felizes que vivenciaram um valor tremendo, transformações econômicas, mas também tangíveis, como o renascimento de seu solo”, acrescenta Murli. 

Falando sobre os ambiciosos planos da WWF da Índia para o futuro, Murli compartilha que eles estão, agora, no processo de criação de uma grande iniciativa, que envolve trazer outras indústrias além do algodão para a conversa”. 

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