Veja a avaliaçõa completa
 

O que avaliamos?

A parceria com o Centro de Apoio e Pastoral do Migrante (CAMI) teve início em 2013 e permanece ativa até aos dias de hoje e esta avaliação, que decorreu entre abril e julho de 2017, teve um duplo papel: por um lado, analisar a sua relevância, efetividade, impacto e sustentabilidade, e por outro, identificar aprendizados estratégicos para aperfeiçoar o trabalho realizado e informar futuras iniciativas.

O processo iniciou-se com a reconstrução da Teoria de Mudança da parceria e, a partir dos resultados esperados, definiram-se os três eixos de análise que seriam priorizados nesta avaliação:

  • Atendimento e empoderamento de imigrantes;
  • Incidência política e advocacy;
  • Fortalecimento institucional do CAMI.

Resultados

Os avaliadores consideraram o desempenho geral da parceria como bom, numa escala de três níveis: Bom, Regular e Ruim. Veja os principais achados em cada um dos critérios avaliados abaixo:

  • Relevância, Bom. A exploração do trabalho de migrantes na cadeia da moda é ainda um desafio premente; as políticas públicas ainda são inadequadas; e a demanda por atendimento mantem-se elevada. Os propósitos da parceria estão muito alinhados com as missões de Instituto C&A e CAMI;
  • Eficiência, Regular. Os projetos foram considerados muito adequados e eficazes no alcance dos resultados. Ainda assim, verificaram-se algumas limitações porque a parceria não possuía uma teoria de mudança clara, notando-se em alguns momentos uma dispersão nas prioridades e atividades.
  • Eficácia, Bom. Verificou-se que o atendimento do CAMI foi capaz de responder adequadamente às necessidades mais frequentes dos migrantes. O CAMI é visto como uma organização com grande poder de mobilização para incidência política e advocacy, embora nem sempre o faça da forma mais planejada e estratégica. Isso verificou-se sobretudo na diferença de atuação entre os níveis municipal e estadual, em que foi bom, e o federal, em que foi praticamente inexistente. Um outro ponto levantado pelos avaliadores é a comunicação externa, que foi identificada como um ponto deficitário da estrutura do CAMI, por não ter conseguido alcançar da melhor forma potenciais beneficiários e tomadores de decisão no nível federal.
  • Impacto, Bom. Desde 2013, o CAMI apoiou a regularização de cerca de 18 mil imigrantes, além de ter oferecido assistência jurídica ou social a 4 mil imigrantes, cursos diversos a 2 mil imigrantes e realizado rodas de conversa para empoderamento de 700 mulheres. Ao nível da incidência política e advocacy, o CAMI contribui ativamente para a criação, discussão pública e aprovação da Política Municipal para Migrantes em São Paulo e na produção de dados, debates públicos e mobilização pela aprovação da Lei Estadual Contra o Trabalho Escravo. Ainda assim, a avaliação aponta fragilidades na atuação em advocacy no nível federal.
  • Sustentabilidade, Ruim. No contexto da sustentabilidade dos resultados obtidos, a criação e/ou qualificação de leis, políticas e programas públicos para imigrantes tendem a garantir a sustentabilidade dos direitos adquiridos. No que respeita ao CAMI, a avaliação apontou a sustentabilidade financeira da organização como o ponto de maior risco. Em 2016, o financiamento do Instituto C&A compunha cerca de 2/3 do orçamento do CAMI.

Aprendizados

A avaliação fez recomendações e identificou desafios e vetores de mudança dos quais foram extraídos os seguintes aprendizados:

  • O CAMI conquistou ao longo dos anos o reconhecimento e respeito do meio e é um ator de referência para a comunidade imigrante nas várias frentes nas quais atua e isso oferece a legitimidade que é chave para a adesão dos imigrantes;
  • O CAMI faz uso de pedagogia e metodologias participativas, envolvendo os próprios beneficiários no desenho, divulgação e execução dos programas. Com isso, os imigrantes sentem-se sujeitos no processo, conferindo-lhes protagonismo e empoderamento;
  • A abordagem de imigrante-para-imigrante, com a inserção de multiplicadores selecionados na comunidade, promove a qualidade da comunicação com os imigrantes e permite alcançar e engajar um maior número de migrantes nas atividades do CAMI;
  • A ação integrada com a rede de proteção aos imigrantes contribui para potencialização da oferta de serviços aos imigrantes e para uma resposta articulada de política social pública;
  • As principais fragilidades encontradas na avaliação devem-se em grande medida a desafios de desenvolvimento institucional do CAM: falta de cultura de planejamento, de gestão da informação e de monitoramento e avaliação, bem como de desenvolvimento de um plano de sustentabilidade financeira.

Destaques