Incentivo ao Algodão Sustentável 

Aceleração do algodão orgânico na China ao replicar a mudança comportamental

Aumentar o cultivo doméstico de algodão orgânico na China e gerar demanda pela matéria-prima mantendo relação com os principais atores da região

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Principais informações 

Parceiro: RARE, Inc.
Investimento: 2,76 milhões de euros (Instituto C&A)
Duração: 4 anos (2015-19) 
Alcance geográfico: China

Objectivos:

01

Desenvolver uma rede de implementação de parceiros usando a abordagem “hub-and-spoke”

02

Implementar treinamento de agricultores usando os métodos “treinar o treinador” (train-the-trainer) e "escola de campo do agricultor" para promover métodos de cultivo de algodão orgânico

03

Promover uma mudança comportamental sustentável para o cultivo, também sustentável, do algodão orgânico 

04

Criar modelos sustentáveis e relações duradouras baseados nas melhores práticas agrícolas e total realização dentro da cadeia de valor

05

Criação de demanda e escala da produção orgânica através do cultivo de redes e relações com os governos e respectivos líderes da indústria para incentivar e apoiar o investimento na expansão do algodão orgânico

Resultados:

O projeto da iniciativa se baseou em hipóteses imprecisas

  • Não foi criado um modelo de desenvolvimento de negócios bem informado
  • Faltou uma análise robusta de custo-benefício e de cadeia de valor
  • As perdas na fazenda durante a transição para o cultivo orgânico foram significativas
  • Metas iniciais não realistas para escala de iniciativa 

Objetivos revisados foram parcialmente atingidos

  • Os parceiros da fazenda gostaram do treinamento agronômico e técnico em cultivo orgânico
  • A iniciativa está próxima de cumprir as metas renegociadas de terras para algodão está em transição
  • Estão no caminho certo para atingir a meta de 457 agricultores certificados/IT
  • Não se esperava atingir as metas para a produção de sementes de algodão

Os vários elementos inovadores não foram relevantes para o contexto operacional da iniciativa

  • Modelos de mudança comportamental e hub-and-spoke não se mostraram relevantes para o contexto de fazendas comerciais com mão de obra contratada
  • Modelo de ciclo fechado proposto não implementado devido à falta de escala da produção dos agricultores e à incapacidade de comercializar subprodutos agrícolas
  • Trabalhar com fazendas comerciais minimizou os riscos econômicos para os agricultores e ajudou a atingir as metas de fibra de algodão

Estabelecimento de conhecimento institucional e redes na cadeia de valor de moda da China ganharam impulso mais tarde

  • A iniciativa adotou uma abordagem primariamente impulsionada pela oferta e não pelo mercado
  • Os esforços para envolver atores e marcas da cadeia de valor se desenvolveram gradualmente
  • A iniciativa assinou pedidos prévios menores, mas as grandes marcas estão relutantes em se inscrever

O que aprendemos?

Instituto C&A

  • O retorno econômico líquido para os agricultores é o fator mais significativo com relação à adoção de práticas de cultivo de algodão sustentável pelo agricultor 
  • Os modelos de cultivo de algodão orgânico devem abordar a lucratividade das culturas de rotação
  • Estudos rigorosos de viabilidade são essenciais para informar a iniciativa quando operam em um novo contexto

Para parceiros e outros

  • A seleção do lugar é um fator importante para convencer os agricultores a adotarem o cultivo do algodão orgânico
  • Uma profunda compreensão da cadeia de valor e de fortes parcerias com os respectivos atores é vital para as iniciativas do algodão orgânico
  • As vantagens ao associar os agricultores com uma experiência prévia substancial no cultivo do algodão sustentável (como BCI etc.) ajuda a acelerar a transição para as práticas orgânicas

Resposta do Instituto C&A ao relatório de avaliação da iniciativa:

O projeto com a Rare, iniciado em 2015, foi uma das primeiras iniciativas relacionadas ao algodão orgânico apoiadas pelo Instituto C&A. O Instituto considerou a China como uma importante região geográfica para expansão, dada sua classificação global em termos de produção de algodão e como a maior base1 de fornecedores/fabricantes para a indústria de vestuário.  Apesar de ser o segundo maior produtor de algodão2, a produção de algodão orgânico não decolou na China. Essa iniciativa foi apresentada pela Rare ao Instituto e a ideia proposta de usar as abordagens de mudança comportamental para influenciar o crescimento na cultura do algodão orgânico pareceu promissora. O Instituto quis fazer algumas experiências ousadas e diferentes, que foram além das abordagens tradicionais de geração de capacidade dos agricultores, visando a sustentabilidade.

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Resposta da Rare ao relatório de avaliação da iniciativa:

A Rare gostaria de agradecer ao Instituto C&A pelo apoio ao trabalho realizado na China e pela disposição em assumir riscos. O papel de um instituto e de uma entidade filantrópica é explorar novos caminhos, testar abordagens inovadoras e ter a disposição de aprender– visando impactos sociais e ambientais. A Rare tem orgulho da parceria com o Instituto C&A neste projeto e juntos tivemos um grande progresso. Aprendemos muito sobre como cultivar o algodão orgânico, e ainda há muito o que aprender.
A Rare saúda o processo de avaliação transparente do Instituto C&A. Dito isso, entendemos que o período entre julho e setembro de 2018 não foi o ideal para conduzir a avaliação, pois estávamos entre a segunda e a terceira temporada de cultivo. Naquele momento, a safra anual não estava concluída, os dados de produção e de custos não estavam disponíveis e as compras de algodão não haviam sido finalizadas. A Rare estará em uma posição melhor para refletir sobre o programa no começo do novo ano e planeja enviar uma resposta revisada à gestão naquele momento, quando analisarmos de forma mais completa as lições aprendidas e os próximos passos.

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